domingo, 11 de janeiro de 2026

Família Ribeiro e o São Lourenço

 Dias atrás, o Tio João, historicizou sobre a origem da Família Ribeiro e, segundo ele, os Ribeiros são originários de Portugal, todavia, pertencentes a estratos sociais ou classes sociais diferentes. A nossa família, reiterou, provavelmente é oriunda de extratos pobres, ou seja, não era fidalga. Mas com a colonização portuguesa acabaram vindo para o Brasil, inicialmente na região Nordeste, por onde começou a colonização brasileira.

A minha exposição aqui se dará apenas no papel desempenhado pela Família Ribeiro no São Lourenço. A meu ver, apesar de ser constituída por pessoas pobres, de poucas posses, em relação, a maioria dos camponeses residentes em São Lourenço, a Família Ribeiro desfrutava de uma situação econômica privilegiada. Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira eram pequenos fazendeiros, enquanto, os filhos eram sitiantes.

Mas a meu ver o grande diferencial da Família Ribeiro, em relação aos demais camponeses em São Lourenço, foi o seu nível intelectual. Praticamente todos eram alfabetizados, exceção feita a vovó. Epifânio, Ildefonso e Antônio Ribeiro  fizeram o 4º Ano Primário Completo; já Celso e José não o fizeram, porém,  foram alfabetizados em casa e eram autodidatas, portanto, também cultos, se comparados a maioria dos lavradores. 

Isto posto, afirmo que a Família Ribeiro se apresentou com autoridade moral e intelectual, e em menor grau, autoridade econômica, porque proprietária de imóvel rural, fazenda ou sitíos. Lembro que grande parte dos lavradores eram arrendatários. 

Por terem a referidade autoridade, os seus membros, mesmo que nenhum de seus membros tenha ocupado cargos no aparelho estatal (municipal -prefeito, vereadores e secretários; estadual - governadores, deputados e secretários; federal- presidente, senadores, deputados e ministros), ainda assim, quase sempre, se incumbiu de fazer encaminhamentos das reivindicações de serviços e obras demandadas por aquela coletividade junto ao poder público, especialmente junto a Prefeitura de Caarapó.

Além disso, Augusto Ribeiro, Pulcina Ferreira e filhos assumiram papeis diferenciados no processo de auto-organização dos camponeses, e, em alguns momentos, demandas por fazendeiros residentes em São Lourenço e imediações. 

Relaciono as diferentes funções que os membros da Família Ribeiro, desempenharam. Ildefonso Ribeiro e Maria Sinhá (educação e saúde). Ambos eram professores e atuavam na área de saúde: assistindo partos, aplicando injeções, realizando pequenas cirurgias (bernes e crianças que nasciam com o sexto dedo, extração de espinhos, bicho de pé).  Pulcina Ferreira atuava complementando porque sabia as propriedades terapêuticas  de diversas ervas, como prepará-las e a dosagem que deveriam ser ministradas para cada tipo de enfermidade. Ou seja, foram verdadeiros agentes de saúde e educadores; destacaram-se no terreno religioso: Augusto,Ildefonso e Antônio Ribeiro e Antônio Costa e Pulcina Ferreira. Foram responsáveis bjhú78pela fundação do Centro Espírita Allan Kardec, dirigirem e propagarem o espiritismo kardecista, inclusive, de forma orgânica. Logo foram lideranças religiosas e se ocuparam do bem estar espiritual daquela coletividade, até mesmo dos não espíritas, haja vista que as demais religiões não estavam organicamente constituídas em São Lourenço;  no lazer e futebol, cito: Epifânio e Ildefonso Ribeiro, Edson Daniel e Antônio Costa, os quais, organizaram e dirigiram equipes de futebol para adultos e crianças; no abastecimento popular, cito Augusto Ribeiro que instalou um pequeno bolicho ou pequeno armazém, que em alguma medida, atendeu a demanda não só dos membros da Família Ribeiro,  bem como dos arrendatários; No plano mais político destaco Augusto e José Ribeiro. Ambos fizeram inúmeras articulações junto ao poder público municipal (Caarapó e Dourados), e muitos  benefícios foram conseguidos por conta das articulações políticas dos dois: patrolamento de estradas, terraplanagem de campos de futebol, campanhas de vacinação na  Escola Rural Mista de São Lourenço, a construção da referida Escola, primeiramente de madeira e posteriormente de alvenaria. Detalhe, para a construção da Escola, dos campos de futebol, do centro Espírita e do Armazém, Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira, cederam terrenos em sua fazendinha.

Moral da história: complementando o que disse o Tio João sobre a Família Ribeiro, lá no velho, sofrido, porém,inesquecível São Lourenço, a Família Ribeiro, se constituiu a meu ver, numa espécie de farol civilizatório para aquela coletividade. 

Foto das turmas que estudaram na Escola Rural Mista de São 
Lourenço, provavelmente início dos anos 1970;
          
Casal Pulcina Ferreira e Agusto Ribeiro


Família Ribeiro e o São Lourenço

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