sábado, 18 de julho de 2026

Tio João, uma pessoa muito bem informada e contextualizada!

Prateleiras do Comércio do Tio João

Balcões do Comércio do Tio João, continuam preservados

Tio João e Eu, quando da minha visita e conversa com ele

Eu pousando numa foto com o
 Arlênio, Filha, Genro e netinhas
do Arlênio e da Suli



Nesta postagem,analisarei um pouco a minha percepção sobre o Tio João Ribeiro, aliás, o único tio, atualmente vivo. Convivi muito pouco  com o Tio João, em certa medida,  um tio estranho, já que  pouco sei sobre ele, diferentemente dos Tios Antônio, Celso, Ildefonso, José Ribeiro, Antônia, Miguel Daniel, Maria Senhora, Maria Sinhá, Mocinha, Josefa com os quais convivi por anos no velho,o sofrido e inesquecível São Lourenço. E a Tia Maria, bem,esta última apesar de não ter residido em São Lourenço, entre 1976 e 1978, morei na Casa Dela e acabei por conhecê-la melhor.

Mas eis que, no mês de Abril, deste ano, tive o privilégio de viajar até Maringá onde e me hospedei na casa dos primos Suli e Arlênio, e a Suli que gentilmente me levou até o Tio João, com o qual, conversei de forma ininterrupta por cerca de 4 hs.

Nesta conversa pude avaliar um pouco mais profundamente o quanto, o Tio João, detém um nível de intelectualidade notável. Ele se posiciona, apesar de estar com 94 anos,  com argumentos consistentes sobre questões de natureza diversas: religiosa, política, cultural e social. E me impressionou bastante o fato de o Tio João, num município tão pequeno, praticamente uma Vila, a Flórida, ter conseguido se estabelecer como comerciante e dali tirar junto com a Tia Fani, o sustento da Família. Aliás as suas duas filhas (Suli e Sônia), estão muito bem encaminhadas, posso dizer, a vida resolvida.

Tive, nestas quatro horas, um prazer imensurável de me conectar com a minha ancestralidade com os relatos, falas e análises do Tio João. O tino comercial do Tio João, qualidade da qual, ele tem muito orgulho. É impressionante o sucesso  com o empreendimento do Tio João, haja vista  qie a década de 1980, a década perdida, foi muito difícil para pequenos empreendedores. Noo entanto, o Tio João, conseguiu adotar estratégias que não o levaram a falência. Atualmente, o Tio João, só não continua no comércio por conta da idade e por residir sozinho. Mas os olhos do Tio João, brilham e o entusiasmo ao falar do seu comércio é enorme e contagiante. Parabéns ao Tio.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ildefonso Ribeiro, um homem Polivalente

 Ildefonso Ribeiro da Silva, filho caçula do Casal Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira. Ildefonso desempenhou diversas funções: professor, liderança religiosa, desportiva, escritor e poeta, Em certa medida, foi em São Lourenço, um agente de saúde e um assistente social, 

Ildefonso, desde pequeno não se dedicou a função de lavrador como os demais irmãos. Realizava atividades domésticas, cuidar das galinhas, dar água aos animais que Pulcina Ferreira determinava. Por conta disso, em conversas que tive com o meu Pai Epifânio Ribeiro, os demais irmãos para provocá-lo diziam que por realizar este tipo de atividades (trabalhos tipificados como femininos), ou seja, a Família Ribeiro reproduzia, uma atitude discriminatória e machista, refletindo um traço da,sociedade brasileira.

Em São Lourenço, Ildefonso, então um adulto desempenhou  atividades meio e não atividade fim. Estas atividades meio foram imprescindíveis  para o Casal Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira, para os irmãos e as demais famílias de camponeses (arrendatários, empreiteiros, peões e vizinhos proprietários de Terra), desbravarem e lavrar as terras do São Lourenço, então um sertão. 

Ildefonso Ribeiro ministrou aula na Escola Rural Mista de São Lourenços aos seus filhos, dos seus dos irmãos, bem como os filhos dos  demais camponeses; também medicou, aplicou injeções, realizou  cirurgias em crianças que nasciam com 06 dedos e das que contraíram bernes e por aí vai; também foi, fundador, dirigente, evangelizador e médium do Centro Espírita Allan Kardec, em São Lourenço.  Aliás, enquano líder religioso, contribuiu para a saúde espiritual de inúmeros camponeses; outra função que Ildefonso desempenhou foi a de leitor e redator de cartas para muitos camponeses, haja vista que, muita  famílias camponesas, no São Lourenço, era comum, todos os membros, sem exceção, setem analfabetos; naquele período histórico alguns documentos não eram submetidos a exigências da atualidade, tais como reconhecer firma, autenticação, e em sendo assim, inúmeros documentos (contrantos, recibos, etc) Ildefonso Ribeiro datilografava em sua máquina marca Remingthon, e desta forma resolveu os problema de muitas pessoas; também cuidava das vacas leiteiras, fazendo curativos e realizando a ordenha, leite que acabava sendo consumido pela família, compreendendo a família nuclear (esposa e filhos) e a dos irmãos, e por vezes, dos camponeses vizinhos;.

Dos irmãos era o mais social. Sempre que convidado se fazia presentes em aniversários, casamentos e outros eventos similares; como se não bastasse, a justiça eleitoral o requisitava para ser mesário em Nova América em todas as eleições. E depois de  aposentado passou a compor poemas e escrever livros, inclusive, publicou várias obras. E sua atividade cultural e literária foi determinante para,  já morando em Dourados, ser um dos fundadores e também dirigente da Academia Douradense de Letras. Aliás, Ildefonso Ribeiro foi sepultado no jazigo dos fundadores desta Academia.

Como se vê o Tio Dé, embora não tenha se dedicado a lavrar a terra, como os demais irmãos, foi vital como suporte nos aspectos religioso, educacional, saúde, social e lazer para os camponeses, graças a sua versatilidade, desempenhar funcões diversas: professor, líder religioso, agente de saúde e assistente social.

Ildefonso Ribeiro, com 

a indumentária da 

Academia Douradense de Letras

sexta-feira, 13 de março de 2026

Rádio Clube de Dourados cumpriu papel relevante e imprescindível no Desenvolvimento de Dourados e Região

 


A Rádio Clube de Dourados, tendo como responsável, o Jornalista Jorge Antônio Salomão, desempenhou importante papel de integração da Região da Grande Dourados durante  a 2ª metade do Século XX.

Naquela quadra histórica em que a maior parte da população do Brasil  de Dourados e Região residia no campo, que o acesso ao telefone, rádio amador era extremamente caro, inacessível mesmo, para o cidadão de baixa renda, sobrava como alternativa para quase 100% da população recorrer a Rádio Clube de Dourados para comunicar-se com familiares, amigos ou mesmo para assuntos de natureza profissional. 

A Rádio Clube tinha, inclusive, um programa denominado Mini Recado, o qual, ia ao ar diariamente de segunda à sábado,ao meio dia e a tardezinha, veiculando recados com os mais variados conteúdos: de pessoas doentes, hospitalizadas, que estavam chegando de viagem, falecimentos através da Rádio Clube. Recados tais como: "fulano" avisa a "sicrano" para esperá-lo hoje à tarde na reta (atual rodovia 163 que liga Dourados a Caarapó, dentre outros municípios); ou "fulano" avisa a "sicrano" que a encomenda chegou e assim por diante; em casos de urgência os recados eram transmitidos durante outros programas; 

Além dos recados a Rádio Clube colocou no ar diversas novelas,  programas de notícias, desportivos e sertanejos e o prestigiadíssimo Encontro Matinal e Musical, sob responsabilidade de Albino Mendes. Para participarem do Encontro Matinal e do Programa Sertanejo, os ouvintes escreviam e enviavam ou levavam pessoalmente suas cartas à sede da Rádio Clube de Dourados, pedindo a moda de sua preferência, oferecida a entes queridos: filhos, esposos, esposas, namoradas, amigos,etc. O apresentador do programa lia as cartas, agradecia e tocava a música ou moda solicitada.

Os avisos recados eram cobrados para serem veiculados já que a Rádio Clube de Dourados, embora sendo uma concessão pública, era particular de propriedade de Jorge Antônio.

Também foram apresentados por décadas programas como "A Bronca" e o "Falando Sério" com Jorge Antônio Salomão, tratando de questões políticas e reivindicações da sociedade de Dourados e Região.

Em síntese posso dizer que a Rádio Clube de Dourados cumpriu importante papel na integração da Região da Grande Dourados, contribuindo para os eu desenvolvimento, ao lado claro, de outro importante veículo de comunicação, qual seja, Jornal "O Progresso". Lembrando no período abordado, parte dele Mato Grosso do Sul, era parte do Estado do Mato Grosso, não havia rodovias, mas sim as estradas; os serviços telefônicos eram caríssimos e as pessoas compravam telefones muito mais para especular do que para se comunicar;  não havia internet,

Estúdio da Rádio Clube, ao 

Centro, Jorge

Antônio Salomão


                                   


sábado, 7 de março de 2026

Esudantes e benfeitores da Escola

 

Em 1976, conforme mencionei em postagem anterior, estudei na Escola Estadual Frei João Damasceno, Distrito de Nova América, Município de Caarapó, juntando-me ao meu irmão, o Alberto e aos primos , Argemiro,Toinho e Augusto.

Aliás, nós, alunos da Família Ribeiro, nos colocamos invariavelmente, na Escola Estadual Frei João Damasceno, sempre no time dos melhores alunos, comprovando, inclusive, a boa qualidade do ensino ofertado no então denominado ensino primário, ministrado pela Escola Mista Rural de São Lourenço, onde era ofertado do 1º ao 4º anos, tendo como professores, Maria Sinhá (1º e 2º anos) e (3º e 4º anos), Ildefonso Ribeiro.  Eu, o Alberto e os demais primos tínhamos estudado na escolinha do São Lourenço. A seguir fotos das edificações da Escola Rural Mista de São Lourenço, primeiramente de madeira e depois de alvenaria. Todavia, Ildefonso Ribeiro, relata em seus escritos sobre a Família Ribeiro no São Lourenço que, a  primeira versão  da escolinha tinha cobertura de  coqueiro (pindó)


Mas além de sermos estudantes, também deixamos nossa marca na Escola Frei João Damasceno, participando em ações de melhoramentos na infra-estrutura da Escola. A Escola não tinha muro, se fez necessário, cercá-la com arame, cercamento realizado pelos alunos, nas aulas de educação física, ministradas pelo saudoso e falecido Professor Luís; capinagem do campinho de futebol e uma série de outros reparos e manutenções.

A nossa relação de pertencimento e de percebermos a Escola como sendo realmente nossa, em virtude deste envolvimento, se tornou muito mais intensa. Aliás, os alunos que frequentavam esta Escola, em sua esmagadora maioria eram oriundos da zona rural: São Lourenço, Café Porá, Liberal, fazendas e sítios localizadas em Nova América. Logo a convivência entre os membros da comunidade escolar foi marcada por práticas que caracterizam as comunidades rurais, como por exemplo, os alunos faltarem em alguns momentos por conta das colheitas, plantios das lavouras e em dias chuvosos, quando as estradas vicinais ficavam intransitáveis; também era comum os alunos levarem frutas para o horário do recreio, haja vista que, não havia naquele período histórico financiamento para merenda nas escolas.

Eu e os primos íamos todos os dias do São Lourenço até Nova América, quase sempre de bicicleta; em alguns momentos fomos no lendário trator fâmulus e à cavalo; fazíamos uma parada na Casa do Tio Dé e de Maria Senhora, na entrada de Nova América, onde colocávamos nossos uniformes, haja vista que chegávamos muito suados, portanto, a parada na casa do Tio Dé foi providencial. Mas os demais alunos da Escola Frei João Damasceno, nem sempre, desfrutaram do privilégio de terem um parente ou amigos onde pudessem trocar de roupa. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Eu e o Alberto fomos extremamente cruéis com o Seo Epifânio.

 Em 1976, estudei na Escola Estadual Frei João Damasceno, em Nova América, para ser mais exato,a 6ª série. O Alberto, o mano, também cursava a 6ª série, atualmente o 5º Ano.

Escola Estadual Frei João Damasceno

Naquele período histórico, o material didático - livros, cadernos, lápis, borracha -,  alimentação e uniforme escolar não eram ofertados aos alunos. Observação: em 1996 foi instituído o Fundef - Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e todo o material didático e uniformes passaram a ser financiados pelo Estado nas redes públicas de ensino (municipal e estadual). Antes do Fundeb as famílias deviam arcar com os custos de tudo. Tudo tinha que ser comprado pelos pais dos alunos. Nas escolas brasileiras existiam as cantinas, providencialmente presentes nas escolas, porém, alimentos que para serem consumidos deveriam ser pagos pelos alunos. 

Eu e o Alberto, dois adolescentes, imaturos para caramba, chegamos para o nosso pai, o Sr. Epifânio Ribeiro e o pressionamos para que comprasse, livros didáticos para cada um de nós, alegando que um livro só para cada disciplina não dava para nós dois estudarmos. O nosso pai argumentou que estudando na mesma escola, inclusive, na mesma turma, não precisava tamanho exagero. Mas Eu e o Alberto nos mantivemos irredutíveis e o meu pai, mesmo sabendo tratar-se de caprichos de adolescentes comprou um livro para de cada disciplina, para cada um de nós, revelando assim, todo os seu amor por nós dois

Afirmo categoricamente, Eu e o Alberto fomos cruéis para com o nosso Pai. E reconheço o quanto o Sr. Epifânio foi paciente conosco. Embora fazendo das "tripas coração", ele deu um jeito de nos atender. De onde estiver, Sr. Epifânio peço que nos perdoe por sermos, Eu e o Alberto, tão intransigentes e tão "metidos" a "besta".

domingo, 8 de fevereiro de 2026

As próteses dentárias de ouro e prata, eram consideradas coisas chiques.

 Quando criança e morando no São Lourenço, me lembro muito bem que, as raras pessoas que conseguiam tratar dos dentes junto a um dentista, uma vez sendo necessário colocar uma prótese dentária, normalmente colocavam uma prótese revestida de ouro ou de prata. Até porque os materiais existentes atualmente, naquele período histórico não existiam.

Só  colocavam as referidas próteses, em alguma medida, as pessoas dotadas de um poder aquisitivo melhor. E cá, entre nós, desfilavam vaidosamente com as tais próteses dentárias. 

E nós, enquanto crianças, não nos dávamos por vencidos, simulávamos ter prótese dentária, recorrendo ao papel brilhoso utilizado como revestimento dos maços de cigarros. Cortávamos o papel e depois trabalhávamos para que se ajustasse os dentes, e na inocência natural de uma criança, desfilávamos, a exemplo dos adultos que colocavam próteses reais, vaidosamente. Lembrando que os maços de  cigarros contavam internamente com um papel brilhoso, amarelo ou prata, de tal sorte que era possível simularmos a colocação de próteses de prata ou de ouro.

A prótese ou dente de ouro é uma restauração durável e biocompatível feita de ligas de ouro, ideal para coroas ou incrustações devido à alta resistência, podendo durar décadas. Atualmente, seu uso é mais comum para fins estéticos (status ou moda, como os grillz) do que funcionais, devido à cor amarela, com custos variando amplamente (de R$ 360 a mais de R$ 5 mil por dente).

No São Lourenço, não me lembro de casos de pessoas que ao morrerem, os familiares retiravam as próteses  dos mortos, por ser algo extremamente valioso. Mas, neste Brasil  de Meu Deus, existem relatos que os familiares dos mortos, portadores de prótese de ouro, antes de sepultá-los, retiravam as próteses.

Prótese de ouro, Particularmente não gosto do efeito 
estético, todavia, quando criança, o que importava
era imitar os adultos






Tio João, uma pessoa muito bem informada e contextualizada!

Prateleiras do Comércio do Tio João Balcões do Comércio do Tio João, continuam preservados Tio João e Eu, quando da minha visita e conversa ...