domingo, 8 de fevereiro de 2026

As próteses dentárias de ouro e prata, eram consideradas coisas chiques.

 Quando criança e morando no São Lourenço, me lembro muito bem que, as raras pessoas que conseguiam tratar dos dentes junto a um dentista, uma vez sendo necessário colocar uma prótese dentária, normalmente colocavam uma prótese revestida de ouro ou de prata. Até porque os materiais existentes atualmente, naquele período histórico não existiam.

Só  colocavam as referidas próteses, em alguma medida, as pessoas dotadas de um poder aquisitivo melhor. E cá, entre nós, desfilavam vaidosamente com as tais próteses dentárias. 

E nós, enquanto crianças, não nos dávamos por vencidos, simulávamos ter prótese dentária, recorrendo ao papel brilhoso utilizado como revestimento dos maços de cigarros. Cortávamos o papel e depois trabalhávamos para que se ajustasse os dentes, e na inocência natural de uma criança, desfilávamos, a exemplo dos adultos que colocavam próteses reais, vaidosamente. Lembrando que os maços de  cigarros contavam internamente com um papel brilhoso, amarelo ou prata, de tal sorte que era possível simularmos a colocação de próteses de prata ou de ouro.

A prótese ou dente de ouro é uma restauração durável e biocompatível feita de ligas de ouro, ideal para coroas ou incrustações devido à alta resistência, podendo durar décadas. Atualmente, seu uso é mais comum para fins estéticos (status ou moda, como os grillz) do que funcionais, devido à cor amarela, com custos variando amplamente (de R$ 360 a mais de R$ 5 mil por dente).

No São Lourenço, não me lembro de casos de pessoas que ao morrerem, os familiares retiravam as próteses  dos mortos, por ser algo extremamente valioso. Mas, neste Brasil  de Meu Deus, existem relatos que os familiares dos mortos, portadores de prótese de ouro, antes de sepultá-los, retiravam as próteses.

Prótese de ouro, Particularmente não gosto do efeito 
estético, todavia, quando criança, o que importava
era imitar os adultos






domingo, 11 de janeiro de 2026

Família Ribeiro e o São Lourenço

 Dias atrás, o Tio João, historicizou sobre a origem da Família Ribeiro e, segundo ele, os Ribeiros são originários de Portugal, todavia, pertencentes a estratos sociais ou classes sociais diferentes. A nossa família, reiterou, provavelmente é oriunda de extratos pobres, ou seja, não era fidalga. Mas com a colonização portuguesa acabaram vindo para o Brasil, inicialmente na região Nordeste, por onde começou a colonização brasileira.

A minha exposição aqui se dará apenas no papel desempenhado pela Família Ribeiro no São Lourenço. A meu ver, apesar de ser constituída por pessoas pobres, de poucas posses, em relação, a maioria dos camponeses residentes em São Lourenço, a Família Ribeiro desfrutava de uma situação econômica privilegiada. Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira eram pequenos fazendeiros, enquanto, os filhos eram sitiantes.

Mas a meu ver o grande diferencial da Família Ribeiro, em relação aos demais camponeses em São Lourenço, foi o seu nível intelectual. Praticamente todos eram alfabetizados, exceção feita a vovó. Epifânio, Ildefonso e Antônio Ribeiro  fizeram o 4º Ano Primário Completo; já Celso e José não o fizeram, porém,  foram alfabetizados em casa e eram autodidatas, portanto, também cultos, se comparados a maioria dos lavradores. 

Isto posto, afirmo que a Família Ribeiro se apresentou com autoridade moral e intelectual, e em menor grau, autoridade econômica, porque proprietária de imóvel rural, fazenda ou sitíos. Lembro que grande parte dos lavradores eram arrendatários. 

Por terem a referidade autoridade, os seus membros, mesmo que nenhum de seus membros tenha ocupado cargos no aparelho estatal (municipal -prefeito, vereadores e secretários; estadual - governadores, deputados e secretários; federal- presidente, senadores, deputados e ministros), ainda assim, quase sempre, se incumbiu de fazer encaminhamentos das reivindicações de serviços e obras demandadas por aquela coletividade junto ao poder público, especialmente junto a Prefeitura de Caarapó.

Além disso, Augusto Ribeiro, Pulcina Ferreira e filhos assumiram papeis diferenciados no processo de auto-organização dos camponeses, e, em alguns momentos, demandas por fazendeiros residentes em São Lourenço e imediações. 

Relaciono as diferentes funções que os membros da Família Ribeiro, desempenharam. Ildefonso Ribeiro e Maria Sinhá (educação e saúde). Ambos eram professores e atuavam na área de saúde: assistindo partos, aplicando injeções, realizando pequenas cirurgias (bernes e crianças que nasciam com o sexto dedo, extração de espinhos, bicho de pé).  Pulcina Ferreira atuava complementando porque sabia as propriedades terapêuticas  de diversas ervas, como prepará-las e a dosagem que deveriam ser ministradas para cada tipo de enfermidade. Ou seja, foram verdadeiros agentes de saúde e educadores; destacaram-se no terreno religioso: Augusto,Ildefonso e Antônio Ribeiro e Antônio Costa e Pulcina Ferreira. Foram responsáveis bjhú78pela fundação do Centro Espírita Allan Kardec, dirigirem e propagarem o espiritismo kardecista, inclusive, de forma orgânica. Logo foram lideranças religiosas e se ocuparam do bem estar espiritual daquela coletividade, até mesmo dos não espíritas, haja vista que as demais religiões não estavam organicamente constituídas em São Lourenço;  no lazer e futebol, cito: Epifânio e Ildefonso Ribeiro, Edson Daniel e Antônio Costa, os quais, organizaram e dirigiram equipes de futebol para adultos e crianças; no abastecimento popular, cito Augusto Ribeiro que instalou um pequeno bolicho ou pequeno armazém, que em alguma medida, atendeu a demanda não só dos membros da Família Ribeiro,  bem como dos arrendatários; No plano mais político destaco Augusto e José Ribeiro. Ambos fizeram inúmeras articulações junto ao poder público municipal (Caarapó e Dourados), e muitos  benefícios foram conseguidos por conta das articulações políticas dos dois: patrolamento de estradas, terraplanagem de campos de futebol, campanhas de vacinação na  Escola Rural Mista de São Lourenço, a construção da referida Escola, primeiramente de madeira e posteriormente de alvenaria. Detalhe, para a construção da Escola, dos campos de futebol, do centro Espírita e do Armazém, Augusto Ribeiro e Pulcina Ferreira, cederam terrenos em sua fazendinha.

Moral da história: complementando o que disse o Tio João sobre a Família Ribeiro, lá no velho, sofrido, porém,inesquecível São Lourenço, a Família Ribeiro, se constituiu a meu ver, numa espécie de farol civilizatório para aquela coletividade. 

Foto das turmas que estudaram na Escola Rural Mista de São 
Lourenço, provavelmente início dos anos 1970;
          
Casal Pulcina Ferreira e Agusto Ribeiro


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Família - Ramo Celso Ribeiro

 

Aqui temos uma foto em que aparecem as filhas do Tio Celso Ribeiro, curiosamente, não sei se foi intencional, o Argemiro, o único varão da família não aparece. Mas em contrapartida a "intrusa" solange (kkkk) se infiltrou achando que passaria despercebida, porém, a nossa agência de espionagem, ainda que tardiamente,  a identificou por tamanho crime de guerra praticado.

Veiculos do Luís Baiano

 

Os mais jovens aqui do grupo, não conheceram estes veículos outrora adquiridos por Luis Baiano, avô de alguns, bisavô de outros e tataravô de outros aqui do grupo. O Motorista destes veículos era o Tio Dito. Estes dois veículos Luís Baiano,  acredito que os tenha adquirido ainda em Mato Grosso do Sul e os levou para o Mato Grosso.


sábado, 27 de setembro de 2025

Assim era o lavrador


Nos anos 1960, 1970 e 1980, quem exercia as atividades agrícolas era denominado de lavrador. Naquele período quase todas as atividades agrícolas eram realizadas manualmente com ferramentas rústicas: machado, foice, enxadão, enxada, máquina de semear manual (matracas), serrador, serrote e utilizando animais: cavalos ou bois.
Por conta disso, quem trabalhava no campo era denominado lavrador e a área cultivada era denominada de roça. Atualmente o termo lavrador e pouco utilizado e em seu lugar utiliza-se cada vez mais o termo pequeno agricultor e o termo roça esta sendo substituido pelo termo, agricultura familiar.
Os agricultores, atualmente, via de regra, já apresentam as mãos menos calejadas e a pele menos tostada e o vestuário já não se diferencia,tanto quanto se diferenciava no passado, do  utilizado pelo homem urbano.
O lavrador, normalmente tinha as mãos com calos enormes e, por vezes,  apresentando muitas rachaduras. Por conta disso era comum ter dificuldade de tirar a carteira de identidade, haja vista, ser impossível coletar as digitais dos lavradores. Me lembro da frase muito utilizado pelos lavradores em São Lourenço: "mas não precisamos de documento de identidade, basta olharem nossas mãos, quem quer que seja, saberá que somos lavradores."
Os adolescentes e rapazes então por conta do estado de suas mãos sentiam-se muito constrangidos quando  namoravam meninas ou moças por terem as mãos extremamente calejadas.
Evidentemente que ainda existe um contingente enorme de lavradores Brasil afora, todavia, cada vez mais, estão sendo substituídos pelo agricultor familiar em razão de as relações capitalistas estarem avançando no campo, impondo cada vez, a mecanização e a relação assalariada. Por conta disso os trabalhadores tipificados como: peões, arrendatários, meeiros, empreiteiros estão percentualmente em queda.




sexta-feira, 18 de abril de 2025

Coisas de Seo Epifânio

Coisas do Seo Epifânio:

a) que abóbora é comida recomendável para porco (se estivesse vivo, cor certeza, teria revisto esta opinião)

b) quando se referia a um produto barato (à preço de banana;  se estivesse vivo, acredito que pensaria diferente;

c) mandioca e milho, o pão do pobre;

d) que palavra dada é para ser honrada, não importa, o tamanho do sacrifício a ser feito para honrá-la:

e) não era apreciador de flores, todavia, não era tão radical, quanto o Tio Celso, caso a Lurdes as plantasse, não as arrancava;

f) adorava os sobrinhos e sobrinhas;

g) sabia ser irônico e sarcástico;

h) não era de bajular ninguém;

i) venerava os seus Pais (Augusto Ribeiro e Pulcina), se flagrasse alguém  criticando-os, batia "doido" e "colocado", neste alguém;

j) o Botafogo, era o seu time de coração. Todavia, torcia para todos os times cariocas quando em confronto com times de outros estados brasileiros ou de outros países;

l) a sua paixão pelo futebol fez com que se empenhasse em São Lourenço em tomar iniciativas para organizar times de futebol para adultos e crianças, assumindo, inclusive, a condição de dirigente e de técnico;



domingo, 13 de abril de 2025

Seo Epifânio, um exîmio contador de história e estórias,

 O Seo Epifânio Ribeiro, um contador de histórias e estórias, que, nós, os Ribeiros,no São Lourenço, que lá nascemos ou que lá moramos entre os anos 1960 e 1970, tivemos o privilégio de ouvi-lo contá-las. 

Epifânio Ribeiro era uma pessoa que leu muitos jornais, romances, livros de história, economia e literatura de cordel; que ouvia muito rádio e apreciava muito o cinema, dotado, diga-se de passagem, de uma memória fantástica, inúmeras vezes, contava histórias e estórias para filhos e sobrinhos. 

O interessante é que ele memorizava integralmente os textos lidos, especialmente, os poemas e os contava, reproduzindo-os integralmente e com uma entonação semelhante a de poetas e artistas, o que tornava as suas histórias contadas mais atraentes. Um contador e tanto de histórias. Lembrando que morávamos, então em um sertão, sem energia elétrica, sem acesso a bibliotecas, onde inexistia televisão, um contador de história, ainda mais tão qualificado como Epifânio Ribeiro, é algo que nos marcou muito e fez do Seo Epifânio, uma pessoa muito querida pelos sobrinhos e crianças. 

Me lembro de algumas das histórias que ele contava e aqui enumero algumas delas:

De cordel: Cancão de Fogo, Pedro Malasarte, Cangaço, Princesa da Perna Fina;

Romances: 50 Anos Depois, Nosso Lar, Os Miseráveis;

Filmes: me lembro que ele fazia muitas referências aos relacionados ao Tarzan, Os Dez Mandamentos, Sansão e Dalila;

Contribuiu, portanto, a meu ver para o apreço  à cultura, a leitura, as artes, para as então, crianças naquela quadra histórica.

Para finalizar, eu incontáveis vezes, acompanhado do meu mano, o Alberto, praticamente, todas as noites dormíamos, embalados pelas histórias contadas por Epifânio, atendendo a nosso pedido, histórias inúmeras vezes repetidas, mas nem por isso, menos atraente para mim e para o Mano.

As próteses dentárias de ouro e prata, eram consideradas coisas chiques.

  Quando criança e morando no São Lourenço, me lembro muito bem que, as raras pessoas que conseguiam tratar dos dentes junto a um dentista, ...